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RELEMBRANDO

RECREIO 2000: O LEGADO

Nosso Presidente do Conselho Deliberativo, o Engenheiro Alemir Coletto relembra o corajoso projeto RECREIO 2000, liderado por ele, conservando a tradição e a história do clube para a nossa comunidade: “A memória é um pouco ingrata, mas quando vivemos com o coração em busca de um objetivo maior, é impossível esquecer. E, neste caso, o objetivo foi para a sociedade de Gramado em respeito à história que transcende um século. Ponto de encontro e referência a todos os importantes acontecimentos de Gramado. Acredito sinceramente que a função do clube é ser um elemento agregador da comunidade, ambiente de convívio, amplo, geral e irrestrito que oferece integração”.    Alemir Coletto, Relembrando na Recreio Gramadense. Foto: Lucas Dias   Sabe-se que nos anos de 1980, o clube não se viabilizava mais e a estrutura da sede em excelente localização, não acompanhava a evolução do cenário de eventos em Gramado. “A Recreio tinha uma situação de total insolvência, por se tratar de um clube muito antigo. Os estatutos preveem a situação de remido que enquadrava a maioria dos sócios e na época, inexistia outra fonte de receita. As estruturas eram todas de madeira com 40 anos de existência, cupins, telhas podres com goteiras e riscos à população. Pensar em como seria o futuro da Recreio era urgente, pois ela não se sustentava, não pagava manutenção. Na época como diretor social, idealizei o primeiro projeto chamado UMA NOVA RECREIO, em que o clube teria uma sustentação financeira, proveniente da locação de espaços comerciais no térreo”, conta.   Recreio Gramadense, 1987. Foto: Bonfanti    Alguns anos depois, Coletto aceitou o convite para suceder o amigo Paulo Volk que liderou o clube de 1989 a 1993. “Foi muito emocionante, pois naquele momento eu vi que o Paulinho tinha compreendido e identificado a ideia que poderia salvar a Recreio e a conduzir ao futuro”.   Aniversário Recreio Gramadense, 1989. Foto: Arquivo S.R.G    Uma comissão de gramadenses engajados formou-se e o desenvolvimento do projeto iniciou a partir de 1995. “Com a colaboração do Ricardo Peccin, idealizamos a obra e projeto RECREIO 2000. Para mantermos as atividades de congraçamento da sociedade gramadense através dos eventos durante o longo período de obras, realizávamos nos hotéis Serra Azul e Serrano eventos black tie, Baile de Debutantes, Carnaval, Miss Rio Grande do Sul, todos com renda revertida para aplicar na obra”, completa.   Obra Recreio Gramadense, 1996. Foto: Arquivo S.R.G.   Obra Recreio Gramadense, 1997. Foto: Arquivo S.R.G.   Época de pujança econômica em Gramado e para alavancar investimentos, muitas campanhas foram realizadas: “Lançamento de títulos patrimoniais, campanhas de material de construção e captação da mão de obra. Buscávamos doações de caminhão de concreto, de brita, areia, tijolos. Campanha de fios elétricos, campanha de madeira, tudo com muito sacrifício. Alugamos o tapume na esquina da Garibaldi e Madre Veronica, como espaço publicitário divulgando logomarca de empresas que apoiaram a Recreio em troca de uma contribuição mensal. Das que tinham o maior poder econômico na época, 100%, se fizeram presentes: Famastil, Imobiliária Gramadense, Ortopé, Serra Azul, Serrano e Sierra Móveis. O apoio da comunidade aumentou e muitos empresários foram fundamentais como Móveis Masotti, empresas da construção civil, entre outras de iniciativa privada. Mesmo com todo o apoio, ainda faltavam recursos e a cada dia um passo e um degrau acrescia. Criamos uma rifa, com 100 números para sortear um automóvel BMW. Vivemos anos muito duros e não teria conseguido concretizar se não fossem as dezenas de apoios, patrocínios, doações, incentivos, a participação efetiva de muitos e a colaboração incansável de todos que lutaram. A todos que tiveram esse despojamento colaborativo eu agradeço pelo que fomos e ao que somos hoje. Tínhamos uma obstinação: Recreio ano 2000: Um Novo Clube para o Associado”.  Obra Recreio Gramadense, 1998. Foto: Arquivo S.R.G.   Outro aspecto importante proposto no projeto era viabilizar o clube financeiramente, pensando no futuro. “Caixa Federal, Bingo e Irius Gastronomia formavam a principal receita do clube na fase inicial. Esta receita prossegue até hoje, com as suas devidas alterações de locatários, responsáveis pela conservação e manutenção dos espaços privativos e suas fachadas proporcionais. Assim a parte térrea estruturada, possibilitou a fonte de renda para o futuro, junto com o economato e locação de salão. Estes três ambientes de negócio passaram a se tornar 99% da receita do clube".    Obra Recreio Gramadense, 1998. Foto: Arquivo S.R.G. Quatro anos com muito trabalho de 1995 a 1999 e grandes desafios. "Durante este período organizamos o carnaval na Rua Coberta, que também estava em construção. Buscamos recursos, fizemos camarotes em meio a tapumes, desfile de fantasias e colocamos mais de cinco mil foliões na Rua Coberta. Foi uma efeméride! A partir daí ficou consagrado o primeiro Gramado Fantasia”, lembra.   Coletto com os filhos Bruno e Lucas, Paulo Volk em homenagem na Recreio Gramadense, 1999. Foto: Arquivo S.R.G.   A conclusão da obra no final de 1999 foi comemorada com um evento marcante. “Casa cheia e um encantamento generalizado. A Recreio tornou-se um salão para eventos e festas de qualidade para Gramado. Passados 20 anos que reinauguramos, vejo o clube maduro, capacitado, integrado, com ações que a cada momento melhoram a infraestrutura e proporcionam mais oportunidades à comunidade de Gramado. Outra bandeira que eu defendia na época e passo a relembrar hoje, é que a Recreio poderá oportunizar possivelmente alguma atividade esportiva identificada no momento certo. O maior legado que eu possa ter deixado para o clube foi a concretização do projeto Recreio 2000, onde estruturamos um plano de gestão, um plano financeiro que permitiu ao nosso clube, prosseguir. Além das atividades sociais, penso em alçar voos maiores, um espaço externo que pudesse ser a segunda etapa do projeto Recreio 2000. Poderemos ser mais amplos, mais diversificados e novos desafios ainda virão pela frente! A Recreio é um dos clubes mais antigos do Rio Grande do Sul, e alcançamos devido ao trabalho de muitos, o espaço e a deferência que temos nesse momento”.          APOIO:         

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TEMPOS DA ROÇA

Pedro Andreis relembra histórias da Recreio desde a infância gramadense com memórias de quem veio da zona rural. “Na década de 1960, a gente vinha do interior da roça nos finais de semana para assistir a um cineminha e se entrosar um pouco na sociedade também. Rejeições, eram bem comuns na época... mas a gente tentava se aproximar aos poucos, para participar da sociedade, do clube e conhecer as opções que a cidade poderia proporcionar”, diz. A Recreio teve uma grande importância social, princialmente nas décadas de 50 e 60.  “Lembro bem que havia um campo de futebol de salão rústico com o chão cheio de pedregulhos, onde um sargento ensinava a jogar. As bolas eram pesadíssimas e a tradição era jogar descalço. Vantagem para a gurizada que vinha da roça, que tinha o pé mais cascudo e enfrentava melhor os guris da cidade”!   Pedro associou-se ao clube na década de 70. “Surgiram mais oportunidades como a Boate. Brigas eram bem comuns, especialmente pela rivalidade com a cidade de Canela. Se não houvesse a encrenca, praticamente não tinha acontecido nada no final de semana. E assim acontecia: uma vez a gente apanhava lá e no outro final de semana a gente batia aqui. Sempre houve esta rivalidade. A boate era nosso evento principal de fins de semana, geralmente aos sábados. A gente fazia uma prévia na Lancheria da Hortênsias, que ficava aqui na Rua Coberta até umas 23 horas e depois vinha para o clube. A grande maioria fumava e o ambiente era um barbaquá. Não se enxergava nada pela fumaça, não sei como se respirava! Naquela época, os pais de algumas meninas responsabilizavam alguns rapazes, e o meu caso era esse: buscava em casa, levava para a boate e até uma hora da manhã trazia a menina para casa”, relata. Quando participou dos Monarcas do Ritmo conheceu mais pessoas da sociedade, inclusive a sua esposa Marilei Benetti. “Minha esposa cresceu na Recreio, os pais dela eram ecônomos. Fui par da Lei, no Baile de Debut e nos casamos aqui, na década de 80. Antoninho Barbacovi e o Chico Lorenzoni eram os garçons titulares e serviram um jantar maravilhoso”, lembra-se.   Marilei Caberlon e Pedro Andreis, Baile de Debutantes Recreio Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal    O casal participou ativamente na diretoria do clube, por muitos anos. “Fui diretor de esportes quando aqui existia uma área de futebol de salão, uma cancha de bocha, uma cancha de bolão e tentamos modernizar um pouco a boate, qualificar um pouco mais. Trabalhamos em reformas rebaixando o teto e na instalação das portas divisórias que eram abertas ou fechadas de acordo com a quantidade de pessoas no evento. Tornou-se um ambiente mais acolhedor, possibilitando mais brilho na decoração dos bailes. Revolucionamos a parte cultural. Trouxemos o Francisco Petronius e as Garotas do Sargentelli. Mudamos um pouco a forma de ver a Recreio como Sociedade, quebramos paradigmas e foi um marco na história do clube”, registra. Uma ocasião que se destaca na trajetória do clube são os Bailes de Debutantes. “Noites maravilhosas onde os pais apresentavam as filhas para a sociedade. Havia preocupação de estar muito bem vestido. Jamais esquecerei quando usei uma gravata amarela, camisa azul e casaco amarelo, bem cafona. Me destaquei de todos e rever essas fotos é sempre maravilhoso”, comenta.  Marilei, Monica Caberlon e Pedro Andreis, Baile de Debutantes Recreio Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal   Aos fundos da Recreio havia salas onde funcionavam os clubes de serviço. As reuniões do Lions Club, Orbis e Rotary eram semanais e havia jantares reunindo o pessoal. “Aqui surgiram os grandes líderes da cidade! A Recreio fez um trabalho bacana em formar lideranças e acho que esta é uma bandeira que deveriam dar continuidade. Há necessidade de descobrir lideranças políticas de uma forma saudável. Acho que a Recreio deveria promover este tipo de encontro, de debates. Acho que além de nível municipal, destaques na Região das Hortênsias”, sugere.    Pedro Andreis, Relembrando na Recreio Gramadense. Foto: S.R.G.   O clube evolui e Pedro também participou da grande reforma que aconteceu na época do Coletto. “Mobilizamos, trabalhamos juntos em uma grande equipe, em busca de recursos para fazer acontecer à reconstrução. Hoje o que buscamos naquela época se tornou uma realidade. Foi muito bacana participar como sócio, como colaborador ativo do clube e contribuir como cidadão gramadense”, conclui.        APOIO:        

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CLUBE NOVO, VIDA NOVA!

Jorge Barbacovi, Conselheiro, tem muitas lembranças com sua família na Recreio. Desde bem pequeno, sempre esteve envolvido com o clube. As imagens ilustram o momento da realização de um sonho: a festa de casamento, no final do mês de Outubro, há dezenove anos atrás!   Festa de Casamento Jorge e Márcia na Recreio Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal   “Meus pais faziam parte do bolão de casais e eu os acompanhava, montava os pinos e ganhava um dinheirinho em troca. Mas há uma história que aconteceu comigo e imagino que com outras crianças, da minha época. Eu sou o mais novo de casa e quando pequeno, não participava dos eventos à noite. Meu pai e meus irmãos estacionavam o carro bem na frente do clube, ainda de dia, bem cedo, para reservar um bom lugar. À noite, quando vinham participar do evento no clube, guardavam o Jorginho dentro do carro e às vezes, davam uma espiadinha para saber como eu estava... Então desde sempre, a Sociedade fez parte da minha vida, mesmo do lado de fora!”, conta.     Festa de Casamento Jorge e Márcia na Recreio Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal   Do tempo da Recreio antiga, lembra-se das canchas de bocha e de bolão e também das churrasqueiras: “Fazíamos bastante churrasco, na lateral das canchas além das festas na boate do clube. O mesmo pessoal que frequentava a Boate do Tênis no sábado a noite, vinha para a Recreio, nas sextas. Assisti aos Engenheiros do Hawaii em ambiente bacana, com bastante Gramadense. Os sócios pagavam preço especial. Depois mudou muito o perfil do público”.   Stefania Gobbi, Hellen Michaelsen, Carla Benetti, Cíntia Libardi, Márcia Maldaner, Diana Correa, Karen Dinnebier, Fabricia Bergamo, Ana Paula Benetti. Foto: Arquivo Pessoal   Em 1999, convidado pelo então presidente Alemir Coletto, participou da Diretoria e acompanhou todo o período da reforma. “As reuniões aconteciam na garagem da antiga delegacia e no inverno era cruel. Parecia um freezer com muita umidade e frio! Só no final de 1999, voltamos para a sede, quando entregamos o projeto Recreio 2000. Passamos por inúmeros obstáculos, com determinação de realizar um sonho, uma nova Recreio. Com orçamento apertado, várias vezes, confeccionamos os enfeites, decorações, colhendo matéria prima na natureza, com chuva, no mato, para fazer alguns eventos acontecerem. Todo esforço e dedicação valeram muito a pena, pois conseguimos juntos passar por dificuldades para chegarmos na realidade que vivemos hoje.  A Recreio é uma referência no Rio Grande do Sul e no Brasil e exigiu muita coragem para fazê-la chegar até aqui”, lembra.   Festa de Casamento Jorge e Marcia, na Recreio. Foto: Arquivo Pessoal   Com amigos fundou o bloco Sópránóis, em 1998. “Sempre viemos aos Carnavais, pelo ambiente, segurança. Os melhores bailes sempre foram na Recreio. Lembro-me de uma noite de Carnaval, no fim da obra e ainda não estava tudo 100% como deveria estar. Por volta da meia noite terminou a luz! Black out total! Geralmente depois do desfile dos blocos é que começa o Carnaval e foi uma pena por que aquela noite não durou muito. A luz realmente não voltou... O interessante  é que mesmo assim, no escuro, os blocos continuaram tocando! Não houve confusão nenhuma e os foliões entenderam que era um novo momento na Recreio. Eu não esqueço, deste momento tenso e que passei aqui”, diz.   Jorginho Barbacovi, Relembrando na Recreio, 2019. Foto: S.R.G   Jorge Barbacovi e Márcia Maldaner começaram uma vida nova na Recreio. Organizaram uma linda festa de casamento e receberam com muito carinho amigos e familiares. “Eu e minha esposa Márcia estávamos muito ansiosos para que o clube ficasse pronto e realizássemos nosso casamento aqui na Recreio. Queria muito que a Sociedade Recreio Gramadense fosse o cenário para a realização deste sonho. Sou grato por todos os momentos incríveis que passei aqui! Creio que nosso casamento foi o primeiro depois da reforma. Lembro dos convidados que vieram de fora comentando sobre a estrutura maravilhosa da nova Recreio. Ao invés de me parabenizarem pelo meu casamento, ou pela festa, os olhares eram para o lindo ambiente do novo clube”.        APOIO:          



Depoimentos

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LUGAR INCRÍVEL

Desculpem o tom poético, mas falar da Recreio é como falar de uma pessoa... está tão ligado a nossa história e as nossas emoções que se personifica em nossas memórias e em nossos corações de forma amorosa e profunda. Um pedaço de cada um de nós, construída, mantida e renovada por mãos especiais.

MANU DA COSTA
Vereadora de Gramado/2018
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INESQUECÍVEL

Sociedade Recreio Gramadense. O clube vizinho da minha infância, presente no curso de todas as nossas vidas. Naquela sede, antiga ou moderna, vivi grandes momentos. Por haver testemunhado mais de um século as melhores páginas da nossa história, merece todas as nossas homenagens.

JOÃO ALFREDO BERTOLUCCI
Prefeito da cidade de Gramado

Acomodações

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