RELEMBRANDO

NAMORO DE CARNAVAL

Para Maria Helena Accorsi Willrich a Recreio sempre proporcionou o encontro entre gerações. “Falar de Recreio é falar das nossas raízes, sobre todas as gerações que se desenvolveram aqui. A Dona Zely Zatti Willrich, minha sogra sempre conta que foi na cozinha da casa dela que tudo começou, em 1915. A Recreio está completamente vinculada à cultura social de Gramado. É peça fundamental, cenário da nossa história. Eu era pequeninha quando meu pai foi presidente, mas lembro-me do esforço, do trabalho e dedicação dele. Parecia que o clube era uma prefeitura, pois havia envolvimento muito intenso de toda a comunidade, era um comando muito importante”.   Baile dos Estudantes, Recreio Gramadense, anos 50. Acervo Pessoal Mari Accorsi Willrich   Baile das Hortênsias. Década de 60. Acervo Pessoal Mari Accorsi Willrich       Gersy e Thereza Accorsi com amigos em evento social em Gramado. Acervo Pessoal Mari Willrich   Seu pai, o senhor Gersy Accorsi, foi presidente do clube na gestão de 1963 a 1965. Ela relembra com carinho o amor dele pela música. “Ele adorava cantar! Subia ao palco, pegava o microfone dos conjuntos enquanto apresentavam-se e encantava a todos com sua linda voz. Serenatas eram muito comuns na vida dele. Meu pai foi excelente cantor, um tenor com muita potência vocal. Fundador do Bloco dos Velhinhos, cantou em muitos casamentos também! Ele foi muito amigo dos senhores Eddi Oaigen, Almeris Peccin, Hugo Daros, Rugart Volk, Maury Pasqual e Euzébio Balzaretti, que também foram presidentes do clube. Minha mãe, Thereza Freitas Accorsi sempre o acompanhava. Eles me deixavam com a empregada e saiam juntos para decorar e organizar grandes eventos que envolviam os sócios e mobilizavam toda a comunidade”, conta.    Festa de Casamento em Gramado, Gersy e Thereza Accorsi. Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich Festa de Casamento em Gramado, Gersy e Thereza Accorsi. Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich   O primeiro baile de debutantes na Sociedade Recreio Gramadense foi organizado na gestão de Gersy Accorsi. “O salão estava decorado com uma linda cerejeira. Reproduziram um “Jardim Japonês” que ficou um encanto!! O que tinha de máximo em termos de dedicação e capricho era feito na Recreio” diz Mari. As meninas que foram apresentadas à sociedade naquela ocasião foram: Maria Lúcia Zatti, Ana Maria Ruschel, Ginês Maria Perini, Elaine da Silva Reis, Ines Mari Soares de Oliveira, Iara Maria Klement, Susana Willrich, Marilia Daros, Elóide Verena Müler, Liana Maria Ferreira, Wanderlei Peccin, Franci Maria Zatti, Teresinha Lorenzoni, Margot Dal Ri, Ingrid Kati Schwingel, Arlete Bertoluci, Sílvia Wilrich, Marlene Tissot e Maria Tomazelli.     Primeiro Baile de Debutantes em Gramado. Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich   “Ser uma menina da sociedade era muito importante, naquela época. Para freqüentar a boate, precisava primeiro debutar. Eu debutei dez anos depois, com 13 anos. Antecipei, para participar da boate. Era o auge dos Beatles”, recorda-se.    Debutante Maria Helena Accorsi, 1973. Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich    Debutantes Recreio Gramadense, 1973. Acervo Pessoal Mari Willrich   “Relembrar na Recreio, me remete à imagem da querida Sílvia Zorzanello, sempre incansável e batalhadora. Bailes clássicos, como o dos 60 anos da Recreio foi apresentado pelo casal de cerimonialistas Enoir e a Sílvia, entre tantos outros eventos sociais. A festa das hortênsias teve um intervalo durante uns dez anos, aproximadamente. Voltou na década de 80 com a ideia da Sílvia resgatando destaques das edições anteriores, reproduzindo o túnel de hortênsias e o desfile das rainhas”.     Festa de Aniversário 60 anos Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich   Festa das Hortênsias, anos 80. Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich   “Tenho uma memória afetiva muito grande dos carnavais. Era o momento mais esperado. Minha mãe fazia as fantasias para mim. Desde os dois aninhos de idade eu já vinha no Carnaval. Cada ano, era um preparo, usei fantasias de Baiana, Fadinha e até Chiquita Bacana fazendo crítica ao imperialismo americano”.      Carnaval Infantil Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Accorsi Willrich   Maria Helena Accorsi, Carnaval Infantil, anos 60. Recreio Gramadense. Acervo Pessoal Mari Willrich     Carnaval de Salão em Gramado, anos 80. Acervo Pessoal Mari Accorsi Willrich   Carnaval de Salão em Gramado, anos 80. Acervo Pessoal Mari Accorsi Willrich    "Mari de Caco e Caco de Mari" no Carnaval de 1978. Acervo Pessoal Mari Accorsi Willrich   A história que a Mari conta e está muito presente em sua vida, é ilustrada pela foto que registra esse momento lindo. “O meu namoro com o Caco começou aqui. Foi uma noite muito especial, no carnaval de 1978 que a nossa química surgiu... Naquela noite, a amiga Liege Zatti, que consideramos nossa madrinha oficial, nos disse que nunca mais iríamos nos separar... Que formamos um lindo casal e que tinha certeza que nosso namoro daria certo! Enfim, casamos e nosso namoro de carnaval já ultrapassou uns 40 anos!"   Ike Koetz e Mari Willrich, "Relembrando" na Recreio. Foto: Rafael De Bacco                APOIO:      

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RECREIO NA FOLIA

Estamos quase chegando ao tão esperado feriado de Carnaval. Prepare sua fantasia para o melhor Baile de Carnaval de Salão da Serra Gaúcha! Garantindo o brilho e a alegria com total segurança, RECREIO NA FOLIA 2020 está confirmado, mesmo com as obras para instalação do elevador no clube.   Rainha do Carnaval 2020, Fernanda Schonardie, Recreio Gramadense. Foto Gustavo Merolli   A tradicional festa de Gramado acontecerá no Sábado de Carnaval, dia 22 de fevereiro, no salão principal da Sociedade Recreio Gramadense.   Carnaval em Gramado, Recreio Gramadense. Foto Gustavo Merolli    Carnaval em Gramado, Recreio Gramadense. Foto Gustavo Merolli    O Carnaval Infantil começará às 15 horas de sábado, dia 22 de fevereiro. As inscrições para o divertido Concurso de Fantasias serão realizadas durante o evento. As crianças deverão estar acompanhadas por adulto responsável.   Carnaval Infantil em Gramado, Recreio Gramadense. Foto Gustavo Merolli    Carnaval Infantil em Gramado, Recreio Gramadense. Foto Gustavo Merolli     O Carnaval Adulto será às 23h30min, sábado, 22 de fevereiro. Haverá tradicional apresentação dos Blocos Carnavalescos Velhinhos Transviados, 100 Juízo e Rebloco. Após, a Banda Fama Festa Show segue animando os foliões durante a madrugada. Para quem não conhece, a energia é contagiante! Os artistas apresentam repertório atualizado e muita performance de palco.   Carnaval em Gramado, Recreio Gramadense. Foto Gustavo Merolli     Carnaval é o momento de jogar para longe toda a tristeza, embalado pelo samba e inspirado pela criatividade e brilho das fantasias.  A festa ficará melhor ainda se estivermos na companhia dos amigos... Reserve a sua mesa e venha se divertir com a gente!   Ike Koetz Presidência Recreio Gramadense Gestão 2018 a 2020

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BODAS DE DIAMANTE

O senhor Walmor Kuwer associou-se em 1951, quando ainda era solteiro e participou de quase todas as fases do clube. “Freqüentei muitos bailes, joguei bolão e assisti orquestras estrangeiras maravilhosas”, relembra. Em especial, fez questão de registrar com muito carinho à noite do seu casamento com a senhora Irene Casagrande, há 60 anos, Bodas de Diamante. “Associei-me ainda muito jovem quando Guilherme Dal Ri era presidente. Precisavam de dinheiro para terminar a parte de baixo da Sociedade Recreio, então filhos de sócios pagaram 50% da jóia na época e o clube angariou fundos para concluir a obra. Muitos amigos meus ingressaram desta maneira. Lembro-me de um Baile de Carnaval organizado no cinema porque a Recreio ainda estava em obras. Tiraram todas as cadeiras e nós ocupamos o salão do cinema para pular e dançar”. Participou do grupo de bolão 1º de Outubro que existiu de 1939 até 1966. “Joguei bolão por mais de 20 anos... eu adorava, era ótimo! Pagávamos mensalidade para jogar e quando sobrava dinheiro, fazíamos churrasco nas canchas atrás do clube. Sinto falta do tempo em que encontrava os amigos aqui”. Alguns componentes deste time foram Aquilino Libardi, Bruno Muller, Eugênio e Ângelo Benetti, Horst Volk, Karl e Rolf Rosenfeldt, Lindolfo Ruschel, Urbano Spengler, Evaldo e Rudi Sorgetz, Nailor e Flávio Balzaretti, Setembrino Boniatti, Willy Fassbinder e Waldomiro Manéa.   Gramado, 1960. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família   “Jamais esquecerei orquestras como Cassino de Sevilha e Cassino de Santa Cruz. Quem chegava à portaria e estivesse com a mensalidade de sócio atrasada não poderia entrar”, comenta.   Gramado, 1960. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família Com emoção, lembrou-se da noite de seu casamento, fria e chuvosa em 30 de janeiro de 1960, no clube de alvenaria recentemente construido. Os noivos tinham religiões distintas e enfrentaram dificuldades para realizarem o sonho do casamento. “Sou evangélico e ela, católica. Decidimos com o pastor, realizar a cerimônia na Sociedade Recreio, um lugar neutro e tradicional”. Explicou que casamento entre evangélicos e católicos não era proibido, apenas um pouco complicado, naquela época. As interpretações do evangélico e do católico da Bíblia são diferentes e as cerimônias também. “Tudo aconteceu aqui e foi muito bonito! O pretor registrou o casamento civil, a cerimônia religiosa foi ministrada pelo pastor e o economato fez o nosso jantar”, registra. Naquela época, o casal de ecônomos era o senhor Luiz Roldo e a senhora Iracema Libardi. “No ambiente da festa havia uma mesa comprida, onde toda a nossa família e amigos estavam presentes. As cerimônias iniciaram cedo. Depois comemoramos com o jantar e dançamos até a meia noite”, conta.        APOIO:        

DESTAQUE

SUZANA STRASSBURGER - USINA

Empresária, Teóloga, Coaching, MBA em Gestão Empresarial e Pós Graduada em Estratégia de Marketing, Suzana Strassburger coordena a comunicação da Recreio há pelo menos 10 anos. Formada em Publicidade e Propaganda, trabalha na área gráfica desde adolescente. “Comecei na montagem do Jornal de Gramado, quando ainda se recortavam títulos das matérias e a impressão era de chapa com fotolito enviado para o Jornal NH”. Em 2007, iniciou como funcionária na filial da Agência Usina na área de marketing e começou a se dedicar aos clientes em Gramado. “Montamos estratégias, otimizamos verbas, reavaliamos desde a identidade visual, estudo da marca, contexto da história e canais de comunicação”, comenta.   Suzana Strassburger. Agência Usina, Gramado, RS.   No caso da Recreio,  houve uma alteração na identidade visual. “Passamos do clássico ao contemporâneo, não só visualmente, mas em termos de proposta, estratégia e foco. Durante um período, o clube desconhecia a postura incisiva na captação de eventos”. Existe a comunicação diferenciada para cada tipo de público e a identidade que precisa ser considerada. A essência não pode se perder na linguagem. “A Recreio tem uma identidade centenária, uma história a ser preservada e uma imagem contemporânea. O conceito exige extremo cuidado”, explica. A Usina entende as expectativas e define o conteúdo da linguagem e os canais que serão utilizados para abordagem.   Divulgação 100 Anos Recreio. Agência Usina, Gramado, RS.   Branding representa o processo de construção da marca. Há a preocupação em identificar o público certo, no tempo adequado em todos os projetos. O grande desafio é trabalhar de uma forma equilibrada. “Clientes que estão comigo há uma década são ótimos motivos para comemorar. A Recreio é um bom exemplo e uma grande conquista! A primeira campanha foi na comemoração de 94 anos do clube. É um tremando desafio manter clientes com a oscilação do mercado”.   Revista Recreio 2018/2019. Agência Usina, Gramado, RS.   A Usina reflete evolução em todos os seus clientes. “Mudamos o conceito de “Comunicação Inteligente” para “Energia Criativa”. Focamos para a marca e a projeção no mercado exigente, correspondendo à proposta da empresa. O mercado online obrigou-nos a adequar a comunicação e reposicionar identidades visuais, desenvolver site responsivo. Busquei cursos de gerenciamento de mídias sociais, de Google, wedword, vendas online, me inserindo nesta nova realidade. A mídia online atua em sintonia com mídia off-line e não existe uma sem a outra. Mergulhei nesse mundo para descobrir o posicionamento por segmento e por canais como Facebook, Instagram, site, e-mail marketing, revista, folder e tantos outros. Ou te inseres, ou o mercado te joga para fora”, justifica. Segundo estatísticas, 60% a 80% da busca para compra é online e esta evolução é constante. “Ainda assim, acredito que nada substitui o relacionamento, contato físico e o atendimento presencial. Faço o atendimento constante. Reuniões com vídeo chamada, gerenciamento de pauta, são práticas rotineiras com o Fernando e Alisson. Trabalhamos juntos há cinco anos”.   Folder divulgação Reveillon na Serra 2019. Agência Usina, Gramado, RS.   A equipe da Usina é realmente muito especial. “Fizemos sessões de coaching com auto análise, definimos ponto real e  ideal e descobrimos muito sobre a agência e sobre nós, como indivíduos. Passamos de uma comunicação superficial para a relacional. Desenvolvemos laços de comprometimento, segurança e inspiração. Honramos o nosso trabalho juntos e isso não tem dinheiro que pague, é muito gratificante. Desconstruímos conceitos e desenvolvemos críticas que fazem a diferença avançando a cada dia. Abrimos um leque na  filosofia, sociologia, psicologia e teologia, áreas que eu gosto muito”. Suzana apresenta ainda o programa De Bem com a Vida, na Integração Web, frequência digital com diversos assuntos como saúde, bem estar, dicas com exemplos para vida, adoção, experiências, voluntariado, entrevistas, e histórias de conquistas, desafios, missões sociais representativas internacionalmente.   Equipe Agência Usina, Gramado, RS.   “A minha família está muito ligada a Recreio. Em 1932, meu avô Oscar Fisch foi presidente e minha mãe cresceu aqui. Atender o clube hoje, entender a concepção atual acompanhando o tempo dessa nova gestão, é uma honra. Atravessamos a linguagem mais clássica, de um tempo em que estava mais retraída e aos poucos estamos atingindo a mudança na postura e linguagem. É uma referência no Estado como Clube Social que faz jus a sua história e sinto muito orgulho em fazer parte dela”.   Folder Projeto Relembrando 2019. Agência Usina, Gramado, RS   Contatos: www.usinanet.com.br https://www.facebook.com/agenciausinagramado/ Insta:agenciausina Whattsapp: +55 (54) 99966-2690 Rua Reinaldo Baqui 99 - Bairro Avenida Central  Gramado/RS

RELEMBRANDO

TEMPOS DE OBRAS

Flávio Koetz relembra antigas conversas que teve com o seu pai, sobre o desenvolvimento da cidade.  Em 1955, Orlando Koetz veio de Taquara a convite de Walter Bertolucci, trabalhar como Agrimensor no setor de Projetos e Obras da Prefeitura, logo que foi instalada, dando origem ao primeiro mapa de Gramado, na emancipação. “Ele trouxe a nossa família para morar aqui e em seguida comprou o título do clube. Em 1957, o pai foi tesoureiro na gestão do então presidente Heitor Klein. Nesta época a orquestra “Cassino de Sevilha” se apresentou aqui. Eu era pequeno e recordo-me muito da repercussão positiva deste evento que trouxe os músicos famosos da América do Sul. Minha mãe Terezinha Tarragô Koetz, participou do grupo feminino de bolão Flor da Serra. Meu pai jogava bolão no grupo Combate e muitas vezes, ajudei a montar os pinos de madeira na cancha em troca de refrigerantes e sanduíche”, conta Flávio.    Centro de Gramado, 1945. Foto: Acervo Maury Pasqual   Quando nossa família começou a conviver em Gramado, a obra do prédio de alvenaria que iniciou em 1947, já havia sido concluída. “A construção teve como influência os filmes que retratavam Cuba, como ”Copacabana”. Muitos foram os responsáveis pela obra, mas principalmente o Sr. Aquilino Libardi, pedreiro, que muito construiu aqui. Meu pai contou-me que aos poucos a comunidade juntava tijolos, cimento, telhas de zinco. O piso parquet taco 7x21 que temos até hoje veio no caminhão do Sr. Anibaldo Ramm. Na época da gestão do Sr. Guilherme Dal Ri, ele próprio assentava os tacos de parquet no salão principal”.     Orlando e Terezinha Koetz, Augusto e Elma Helmuth. Foto: Acervo Pessoal Terezinha Koetz   Delegado Melgaré e esposa, Orlando e Terezinha Koetz, 1963. Foto: Acervo Pessoal Terezinha Koetz   Flávio foi Diretor de Patrimônio na gestão do presidente Irdilo Pizzolotto em 1979. “Lembro-me de uma época de muita carência da participação da comunidade. Batíamos de porta em porta para convidar as pessoas, vender os convites para as festas no clube. O advento dessa administração, a pedido dos associados, foi à construção de duas canchas de bocha cobertas ao lado das canchas de bolão. Fizemos rifas para angariar fundos e construir esse espaço que foi muito frequentado, por alguns anos”. Quando Martin Volk assumiu como presidente em 1981, seguiu como Diretor de Patrimônio. ”Foi uma administração muito equilibrada e organizamos um lindo baile de debutantes na majestosa apresentação das moças a sociedade. Convidamos a Ieda Maria Vargas Atanasio, a nossa eterna Miss Universo gramadense de temporadas sazonais para ministrar curso de etiquetas, ensinando boas maneiras para as meninas que deveriam saber como se comportar em eventos sociais. Acompanhei os presidentes Gentil (1983), Pedroca (1985) e Paulinho Volk (1989), pessoas especiais que se dedicaram muito pelo sucesso de nossa Recreio Gramadense”.   Flávio Koetz, Clélio Tisott, Irdilo Pizzolotto, Dirceu Daros. Acervo S.R.G.   Velhinhos Transviados, Baile Municipal de Carnaval em Gramado. Foto: Acervo Pessoal   Flávio e Arlene Koetz. Carnaval Gramado. Foto: Acervo Pessoal   “Boas recordações tenho dos bailes de Carnaval, do Suéter e de Debutantes na Recreio. Frequentei desde criança o carnaval, logo quando viemos morar aqui. Acompanhei os Velhinhos Transviados desde sua formação em 1965, muito antes de eu fazer parte. Imaginem aqueles homens sisudos e mulheres discretas, que comandavam as grandes empresas da cidade, fantasiados. Eram os antigos Verdugos Transviados. Impactaram de uma forma muito positiva, vestidos de Chineses, de Palhaços e Ciganos. Foi o bloco que nasceu para iniciar o baile de carnaval da Sociedade Recreio Gramadense e permanece até hoje. Com emoção, lembro-me dos 25 anos da minha vida em que eu e minha esposa participamos com amigos muito queridos”, diz.   Carnaval Gramado, encontro entre gerações Gercy Accorsi e Flávio Koetz. Foto: Acervo Pessoal Mari Willrich   “A Recreio Gramadense sempre proporcionou encontros da sociedade desde a sua fundação. Lembro-me dos economatos que serviam almoços aos domingos. À noite, durante a semana, reuniam-se as turmas do bolão, bocha, carteado, os caçadores e contadores de causos. Tomavam aperitivos, jantavam, contavam piadas. Momentos de confraternização entre várias tribos e várias gerações. Sinto saudades deste tempo, do convívio olho no olho”.        APOIO:    

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BODAS DE OURO

Pedro Henrique Bertolucci e Susana Willrich casaram-se na Igreja Matriz São Pedro, no dia 10 de janeiro de 1970. A festa e o cartório foram na Sociedade Recreio Gramadense. São Bodas de Ouro! Meio século de vida a dois que geraram três filhos e netos. Relembrando com Pedro Bertolucci é ilustrado com imagens de acervo pessoal, da festa que aconteceu aqui e conta um pouquinho sobre uma vida que começou na Recreio há mais de cinco décadas atrás.   Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família    Pedro começou como armador do grupo de bolão Castelo. Participou do Departamento Social na década de 60 e como Conselheiro de 1967 até 1971. Sucessor de Clarindo Tisott, foi o segundo presidente do Orbis Clube de Gramado, que assim como os demais Clubes de Serviço, surgiu aqui na Recreio.   Daminhas: Eloisa Bertolucci, Carla Zatti Haas, Ana Rita Brentano, Andrea Perine, Silvana Brock. Foto: Álbum da Família     Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família   “Como Presidente do Grêmio Estudantil, organizei muitos Bailes dos Estudantes junto com a minha grande parceira, a Sílvia Willrich e com a Susana que mais tarde tornou-se minha esposa. No tempo em que eu era açougueiro, saía do trabalho, tomava banho e vinha para cá namorar a Susana”, conta.     Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família     “Desde cedo promovemos Gramado, no braço. Enfeitávamos a Sociedade, buscávamos inspiração no DNA de quem construiu a nossa região na década de 20, chegando de trem para morar aqui. Juntos, montamos imensas decorações com hortênsias desde a rua, calçada e até dentro do salão. Cerca de quarenta jovens trabalhavam conosco e lembro-me que tínhamos todo o cuidado para colher sempre as flores de trás, nunca às da frente, para não comprometer o visual da cidade. Fizemos túneis, arcos, cada ano de um jeito diferente. Promovíamos reuniões dançantes e vários atividades a que se propunha um clube social. Outro grande acontecimento foram Bailes de Debutantes. A gurizada era festeira e eu não perdia um! Eu vim a quase todos e dancei com a Susana, no primeiro, quando ela debutou”.   Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família     Segundo ele, “quando Sílvia e eu fomos diretores sociais, fizemos uma grande mudança dentro do clube incentivando a participação da comunidade nos blocos de carnaval. Surgiram então o Apito do Samba, Monarcas do Ritmo, Crentes da Folia, Prá que Dinheiro. Os blocos tiveram uma função importante em trazer as pessoas para o convívio social. Serviram de caminho para interação da juventude. Aproximaram as pessoas que moravam afastadas do centro, em outros bairros ou eram de fora da cidade. Movimentamos também na recreação esportiva. Organizamos o primeiro Campeonato Municipal de Futebol de Salão, pois o esporte também unia as pessoas. Foi aqui que iniciou minha vida política”, conta.    Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família     “A Recreio tem o contexto da história da nossa cidade no aspecto social, político, turístico e cultural”, comenta. "A união das pessoas no clube, naquela época é um exemplo de como o gramadense se posicionou durante muito tempo; como se Gramado fosse o seu sobrenome". Recorda-se que no tempo em que foi Conselheiro, muitas questões municipais e assuntos da comunidade que transcendiam o espaço da Recreio, foram debatidas no clube com membros da comunidade influentes e com a participação ativa. “Decisões importantes foram tomadas aqui”, justifica. “Desavenças políticas eram ferrenhas, pois desde a emancipação sempre houve dois lados e isso nunca pesou aqui dentro".   Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família     "Apurações de votos, na época em que concorri a Prefeito, as cerimônias de posse na primeira e segunda vez em que fui eleito, aconteceram aqui". Os escrutínios foram uma eleição à parte. “A Recreio foi um ambiente político importante, com muito voto discutido no grito e defendido pelos fiscais de cada partido”.    Gramado, 1970. Casamento na Recreio. Foto: Álbum da Família     Existe uma galeria de personalidades com papel fundamental no desenvolvimento de Gramado, assim como Pedro Bertolucci que muito trabalhou pela cidade. “Cada um na sua época e com os seus desafios”, como ele diz. “Nossa cidade é diferente, por que o nosso povo é diferente. A sensação de pertencimento e paixão que temos pela nossa terra foi o que nos trouxe até aqui. Deixar um legado e abrir caminhos para que outros possam seguir é importante, mas é preciso estar atento aos ajustes. Acho que o que nos alimenta são os nossos projetos e me dedico há muitos simultaneamente. Se vão acontecer todos, eu não sei, mas temos que ter vários e persegui-los. Meu pai sempre dizia: Nunca perca a cisma e segue em frente”!         APOIO:    

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RECREIO PARA TODOS

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 10% da população do mundo possui algum tipo de deficiência. No Brasil, são 45,6 milhões de pessoas, o que equivale a 23,91% da população brasileira, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. É comum ligarmos a palavra acessibilidade apenas aos deficientes físicos, especificamente cadeirantes. Quando falamos em um clube que completará 105 anos, podemos analisar que nossa preocupação com acessibilidade é muito mais ampla.     Com a evolução da medicina e tecnologia, a expectativa de vida está aumentando e garantindo o envelhecimento saudável da população. A OMS prevê que o número de idosos triplicará no Brasil e isso nos faz refletir sobre a importância da qualidade de vida para todos. Idosos, gestantes, operados e outros grupos com mobilidade reduzida, merecem nossa atenção. É direito de todas as pessoas se locomoverem com segurança, independência e sem constrangimento. Precisamos estar preparados para receber a todos.     No Brasil, estamos em desenvolvimento quando o assunto é a promoção de acessibilidade e atendimento prioritário, imediato e diferenciado às pessoas com necessidades especiais. Garantir a consciência da população em geral ainda é um desafio cultural para melhorar a convivência no futuro. Infelizmente testemunhamos cidadãos estacionando em vagas especiais, sem necessidade. Comportamento que evidencia a ausência do respeito ao próximo.       Pensando em garantir maior autonomia e segurança, planejamos uma obra para instalação do elevador e uma plataforma de acessibilidade, em todos os andares. Temos total consciência que a falta deles é um grave limitador para que pessoas com dificuldade de locomoção e acima dos 60 ou 70 anos, prestigiem os eventos que realizamos aqui. Este é o início do projeto de adequação do nosso clube social de Gramado, para facilitar o acesso a todas as pessoas.     O cronograma da obra está previsto para iniciar no dia 06 de janeiro e deverá ser concluído próximo ao aniversário da Recreio, em abril. Contamos com a compreensão de todos durante este período. Desejamos que este ano seja repleto de saúde e alegria para todas as nossas famílias! Feliz 2020!! Ike Koetz Presidência Recreio Gramadense Gestão 2018 a 2020  

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EM TODAS AS FESTAS

Sergio Bertoja nasceu em Gramado, ”recordo-me da cancha de bolão. Eu era mascote do grupo, quando meu avô era presidente do Tuyuty”.   Centro de Gramado, 1966. Destaque: sede da Recreio, em alvenaria ao fundo. Estrutura moderna. Foto Sérgio Bertoja   Sérgio tem um lindo acervo de fotografias e relembra como era o convívio nas décadas de 60 e 70. “Frequentava os matinés dançantes nos domingos à tarde. Aprendi a dançar aqui, com a Dorli Michaelsen. As músicas eram tocadas pelo Renato Kasper, o “Kaspinha” com disco long play”.   Sentados: Juarez Bordin, Sérgio Bertoja, Elias Mubarach, Geovani Stanguerlin, Fernando Bertoja, Franco Camerini, Osmar Evaldt, Pedro Bertolucci. Em pé: Pedro Henrique Benetti, Alceu Bertoucci, Rui Heurich, Luiz Neuckirchen, Vandir Stall. Festa de São João. Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Julio Cezar Bertolucci, Paulo Pante, Luiz Neuckirchen, Pedro Bertolucci, Pedro Henrique Benetti, Fernando Bertoja. Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Sérgio Bertoja e Renato Chaulet. Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Sérgio Bertoja e Silvia Willrich, aniversário de 15 anos dela. Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Conta que as festas de aniversário de 15 anos eram concorridíssimas e muitas foram na boate. “Os convidados, muito bem vestidos, não podiam chegar atrasados. Obrigatório, uso de gravata e ninguém entrava mal arrumado. Não se convidava somente uma pessoa da turma e sim, a turma inteira” lembra-se. “Dançávamos as Marchinhas, Valsas, Tangos, Twist, Halli Galli e Rock and Roll”. Quando deixei de frequentar as reuniões dançantes, passei aos inesquecíveis bailes. Na época, iniciavam cedo. Jantávamos no clube galeto maravilhoso.  Exigiam mais ainda o uso de fatiota, gravata e sapato bem engraxado. Normalmente as gurias estavam acompanhadas com os pais. Para  convidar a moça para dançar, tínhamos que pedir licença aos pais. Pelo menos para mim, nunca negaram um covite! Dancei muito com minha mãe também". Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   As famílias ocupavam quase sempre os mesmos lugares na Recreio e a metade da população de Gramado era sócia e marcava presença. "Assisti orquestras maravilhosas como o Cassino de Sevilha e os Cantores de Ébano. Certa vez, houve um imprevisto: os músicos que vinham tocar aqui em Gramado se perderam e foram parar em Caxias. Até chegarem aqui, o show que deveria iniciar às 23h começou às 3h da manhã. A maioria do pessoal não foi embora e ficou esperando o show começar e amanheceram no clube!! Os bailes do suéter que movimentaram as malharias também eram sensacionais! Todo mundo vestindo blusões bonitos, com capricho, pois queriam se destacar no concurso". Sérgio conta que teve o privilégio de ser convidado para ser par da Ginez Perine no primeiro Baile de Debutantes e na segunda edição foi par da senhorita Maria Helena Ruschel. Foram festas de muito sucesso e divertidíssimas, com toda a sociedade presente.  “Outra ocasião que envolvia a todos também era o Baile dos Estudantes onde destacavam-se meninas lindas como Rainhas dos Estudantes. Fizemos decorações maravilhosas com hortênsias e em cima das mesas colocamos uns livros e lápis de cor".   Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Sérgio Bertoja e Vanderlei Peccin. Acervo Pessoal Sérgio Bertoja   Baile Municipal. Jornal de Gramado   “Outro momento maravilhoso foram os Carnavais. Lá no fundo no clube de madeira, os blocos ensaiavam. Em uma reunião de amigos fundamos o “Apito do Samba” com 10 casais. Desfilamos com fantasias de Arlequim e Pierrot. No segundo ano o bloco cresceu, 30 pares, fantasiados como Malandros. Encerramos o bloco naquele ano, pois levamos uma bronca da diretoria na época. Fomos a Canela durante o baile, como de costume. Nesse meio tempo chegou um bloco de outra cidade e não estávamos aqui para recebê-los. Assim, entregamos o estandarte", conta Sérgio. O "Apito do Samba" originou outros blocos importantes na história do clube. "Por opção, não participei de mais nenhum bloco, mas também não perdi nenhum carnaval”.      APOIO:    

RELEMBRANDO

COSMOPOLITA DA ERA CHIC

Iraci Casagrande Koppe, relembra eventos que fizeram parte do nosso desenvolvimento, ainda antes da emancipação de Gramado, sobre o comportamento social da época e as festas mais frequentadas. “Segundo as minhas pesquisas em 1930, os bailes começavam às 8 horas porque a luz fornecida por uma pequena usina particular de Eugênio Bertolucci era desligada à meia noite. Mas continuavam com a luz neon e iam até às 8 horas da manhã do dia seguinte”, registra. A Sociedade Recreio Gramadense, era de madeira e constituída de um salão, chapelaria e toalete para as senhoras. “Como nos dias de chuva havia muito barro nas ruas, existia uma peça especial para troca de vestidos e sapatos, e ainda, um lugar para as crianças. Em bailes mais informais, como o Baile da Chita, usávamos vestidos feitos de chita. No inverno havia o Baile da Pelúcia, mas este era de gala. O meu era bordeuax, lindo, com uma camélia branca. Havia também o Baile de São Silvestre, no Reveillon, um luxo. Serviam sopa de agnoline e o ambiente era muito familiar, fora de série!”     Segundo Dona Iraci, “o Baile mais famoso daqueles tempos era o da Primavera, patrocinado pelo Centro Esportivo Gramadense, que elegiam suas Rainhas. A primeira foi Irma Lied, filha do Presidente do Clube. A segunda foi Lacy Bertolucci e a terceira Carmen Bertolucci. Todas lindas e com belos vestidos de gala. Época de muito luxo. A orquestra era de Gramado, a melhor, em minha opinião. Chamava-se Flor da Serra. Dançávamos Valsas, Foxtrot e Tangos”.     "Os vestidos eram de organza, renda e paetês. Naquele tempo existia muita rivalidade entre as jovens. Cada qual queria ser a mais bonita. As que mais desejavam destaque compravam a metragem do tecido para a confecção de um vestido na venda do seu Dalle Molle e o restante da peça queimavam em forno de brasa, sem dó nem piedade. O importante era ser exclusiva. Existiam concursos do vestido mais bonito e a eleição era com compra de votos. O dinheiro arrecadado revertia para a decoração do clube. Todas as candidatas usavam luvas de suede brancas. Nossa Sociedade vivia o tempo cosmopolita da era chic, de verdade”, comenta. Sobre o comportamento, diz que quando um rapaz convidava uma moça para dançar, ela era obrigada a aceitar ao menos uma marca. Caso não simpatizasse com o jovem, ela tinha o direito de pedir licença, ao terminar a música e antes de começar a próxima. Os pares que estavam dançando e assim desejavam continuar, quando a música parava ficavam no salão, sempre dialogando, até a próxima música.     “A moda dos gramadenses, a partir de 1940 era igual a da Argentina. Terno, gravata, colarinho engomado, chapéu de feltro, era o que os homens usavam. O tango combinava com a época e era invencível, principalmente “La Cumparcita”, conta. "Foi após o fim da 2ª Guerra Mundial, quando tudo mudou: o brim coringa, camiseta e tênis, chegaram. Os filmes americanos mostravam as jovens de calça comprida que causava admiração e, ainda a moda da mulher fumando. Os pares já dançavam de rosto colado. Houve uma tentativa de copiar este novo comportamento nos bailes por aqui, mas os pares, como sempre, tinham que manter a respeitável distância ao dançar. Se o casal aproximava-se, demais, a Secretaria do clube chamava à atenção”.      APOIO: