RELEMBRANDO

OS BOLONISTAS

No Brasil, assim como o jogo de Bocha está mais ativo dentro das comunidades italianas, o Bolão é concentrado entre descendentes alemães, e mais praticado na região Sul do Brasil. Os grupos históricos que fizeram parte do Bolão da Recreio tiveram papel fundamental para a concluir a construção da sede de alvenaria na década de 50, bem como o pavilhão com as moderníssimas canchas. Através de registros fica claro o envolvimento dos participantes em todos os períodos administrativos durante a evolução do clube, por muitas décadas. Para fazer parte de um Bloco de Bolão havia a condição se associar-se a Sociedade Recreio Gramadense, ser casado e sujeitar-se ao regulamento organizado pelo grupo.      A parir da década de 40 há registros de churrascos nos fundos da Recreio, perto do hospital. As famílias dos bolonistas plantavam árvores para sombreamento e mais conforto. Cuidavam dos jardins e das vertentes que passavam neste trecho. A rua Madre Verônica era um caminho estreito para o Hospital São Miguel, com poucas residências próximas. Até o início dos anos 60 muitos eventos das famílias gramadenses aconteceram neste espaço arborizado.   O GRUPO VIRTUDE É provável que tenha iniciado em 1925. Em junho de 1935 é riscado o nome Virtude  e colocado Combate. Alguns nomes listados são: Oscar Fisch, Otto Meyer, Cláudio Stangerlin, Reynaldo Sperb, Afonso Bordin, Arthur Zwetsch, Arno Sander, Bruno Riegel, Eduardo Seibt, João Nicoletti Daros, Antonio Accorsi, João Dal Ri, Aquilino Libardi, Edvino Jacobsen, Olímpio Benno Ruschel, Augusto Daros, Floriano Petersen, Euzébio Balzaretti, Argento Bertolucci, Armando Ruschel, Guilherme Dal Ri, Pedro Berti.     BLOCO COMBATE  Fundado em 3 de março de 1925, presume-se que era o antigo Virtude, ou que acolheu o extinto grupo. Alguns componentes: Boaventura Ramos Pacheco, Rodolfo Waslawick Filho, Agusto Zatti, João Leopoldo Lied, Pedro Candiago, Rodolfo Arend, Henrique Bertolucci, João Henrique de Castilhos, Maximiliano Gaspar, Reynaldo Sperb, Virgílio Zanotti, Ângelo Rossi, German Heller, Benno, Willy e Armando Ruschel, Alfredo Waslavick, Adilso Franck, Antônio Barbacovi, Hugo Daros, José Witmann, Orlando Koetz, Padre Luiz Manéa, Miguel Sbabo, Renato Kasper, Walter Sempé, Remi Belotto, João Sartori, Elias de Moura, Eddy Oaigen, Gersi Accorsi, Abel Parmeggiane, Adelino Catucci, Eduardo Bisol, Paulo Pante, Carmo Henzel, Fabio Weeck, Izaias Cartana, Lauri Arnold, Danglar Libardi, Gilmar Colisse, Roque Moschen, Raul Sartori. Mesmo nos registros mais antigos mostram que eles treinavam obrigatoriamente uma vez por semana e que pagavam para se divertir. Desafios, muito comuns valendo churrascos e macarronadas aconteciam entre os componentes e especialmente com outros blocos. Havia conta no "Armazem Ferreira, Seccos, Molhados e Especialidades",  que registrava fornecimento de mandioca, cana, sal, papel, e erva e pão novo, na padaria "Wilibaldo Schlier". O mais tradicional adversário do Combate era o Garra de Ferro, de Caxias do Sul. Há registros do Bloco Combate, filiado à Recreio, até o ano de 1991.   GRUPO DE BOLÃO 15 DE ABRIL Fundado em 15 de abril de 1928. Este grupo se dispunha a dar toda a renda arrecadada para o clube, com a condição de que não fosse cobrado aluguel da cancha e os demais encargos.   Não há registros dos nomes dos participantes deste grupo.     GRUPO TUYUTY Fundado em 6 de março de 1925, o nome foi escolhido em homenagem a um dos mais gloriosos feitos de bravos soldados comandados por Manoel Luiz Osório. Os últimos registros deste Bloco, filiado à Recreio foram em 1991. Constituído durante todas as décadas por alguns componentes aqui mensionados: Cláudio Pasqual, Rodolfo Schlieper, Jorge Bard, Reinaldo Muller, Waldemar Marques, Henrique Bertoluci Sobrinho, Valentin Zanotti, Jurandy Bender, Rudi Schlieper, Oscar Bauer, Oscar Fisch, Zeno Sturmer, Bruno Muller, Ingo Ramm, Victório Lazaretti, Julio Chaulet, Cláudio Stangherlin, Caludino Weber, Daniel Arend, Demetrio Pereira dos Santos, Dante Bordin, Leopoldo Rosenfeld, Francisco Perini, Secundino Prezzi, Almeris Peccin, Erico Albrecht, Emilio Darsie, Helmuth Fries, Helmuth Sorgetz, João Francisco Bertoja, Leopoldo Preto, Oscar Dal Ri, Pompeu Peccin, Walter Plutzenreiter, Waldemar Weber, Alexandre Fleck, Airton Fleck, Alexandre Albrecht, Arlindo Zinke, Clelio Tisott, Delvair Ghesla, Décio Tisott, Gilberto Drecksler, Gilmar Ramm, João Alberto Oliveira, João Carlos Brentano, Luis Carlos Stopassola, Roque Silva, Waldemar Ramm, Wandir Sthal, Ulli Rolof, Edésio Reck, Nelson Fassbinder, Alcenio Fassbinder, lcides Balzaretti, Paulino Castilhos.    BLOCO DE BOLÃO OS GRAMADENSES Composto por casais gramadenses, fundado no final dos anos 70. Treinavam aos domingos à noite. Os participantes eram: Aurélio e Iraci Sartori, Armando e Nair Oberher, Antonio e Flávia Barbacovi, Alfredo e Rosa Becker, Edésio e Arcelita Reck, Ermindo e Alice Moschen, Élio e Leilaine Correia, Henrique e Amabile Giacometti, Ivo e Anita Barbacovi,  Isaias e Nelci Abraham, Júlio e Pierina Carniel, Olídio e Elli Dutra, Sérgio e Cristina Schneider, Sérgio e Gládis Moschen, Wilson e Ludiva Fassbinder, Wilibaldo e Helma Oberher.             APOIO:               

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AS BOLONISTAS

Há períodos variados na história, em que o Bolão foi condenado como jogo de azar ou praga, ora pela Igreja, ora pelo Estado, já que em torno das reuniões de "bolonistas" era comum bebedeiras, brigas, discussões e apostas em dinheiro. Com o passar dos anos, alteraram um pouco as regras, o desenho e formato das pistas, pinos e bolas e finalmente introduziram as mulheres. Senhoras, esposas de bolonistas não menos competitivas, mas que jogavam, tomavam chá e conversavam. Estava criado, então um "novo jogo", com menos chances para infrações.       Havia desfiles no centro de Gramado com as seleções de representação dos Blocos de Bolão. Além dos encontros semanais, no clube para treinos, as mulheres organizavam reuniões em casas de componentes.  Algumas também se apresentavam como Blocos de Carnaval.        BLOCO DE BOLÃO BELLONA Possivelmente fundado em 1924 era formado pelas filhas de adeptos do Partido Libertador. Elas usavam lenços vermelhos. Treinavam nas quintas feiras.   Algumas componentes: Aurora Casagrande, Isaura Darcie, Genoveva e Eleonora Balzaretti, Maria Waslawick, Rosita Bertolucci e outras.    BLOCO DE BOLÃO PRIMAVERA Formado por moças de famílias do Partido Republicano, de lenço verde, a possível data de fundação, foi em março de 1925.  Algumas componentes: Iria Lied, Irma Lied, Iraci Lied, Íris Lied, Irani Lied, Dosolina Daros, Clementina Daros, Edelvira de Castilhos, Julieta Bastos, Oscarina Bastos, Aura Boelter e Lia Ruth Boelter. O grupo convidava rapazes para formarem cordões carnavalescos. Boaventura e Waldomiro Ramos Pacheco faziam as músicas do Grupo de Bolão que era Bloco de Carnaval também    BLOCO DE BOLÃO 2 DE OUTUBRO Fundado em 20 de Outubro de 1944. Integrado por Íris Lied dos Santos, Oscarina Bastos Benetti, Nair Gonçalves Ribeiro, Irani Lied de Castilhos, Rosita Benetti, Julieta Balzaretti, Erlinda Stumpf, Maria Libardi e Olda Boelter Fisch. As componentes são em sua maioria as mesmas que fundaram, mais tarde o "30 DE SETEMBRO".     BLOCO DE BOLÃO 30 DE SETEMBRO Fundado em 30 de Setembro e 1953. O uniforme era composto de saia rodada preta e uma blusa branca com mangas e gola japonesa. O monograma era bordado a mão em piquet branco com dois paus de armar em marrom. Algumas componentes: Clari Accorsi Sartori, Cantides Gonçalves, Cida Castilhos Petersen, Dalila Jungbluth, Dercy Couto, Edelvira Castilhos Bertolucci, Emma Fisch, Iria Lied de Castilhos, Irma Bertolucci Peccin, Julieta Bastos Balzaretti, Ladi Bastos, Rosita Bordin, Soely Accorsi Daros, Zari de Castilhos, Beracy Oaigen, Dalcira de Oliveira, Ermelinda Fisch, Flávia Barbacovi, Inge Fisch, Lacy Bertoja, Oasita Haas, Rosita Benetti, Similda Riegel.          BLOCO DE BOLÃO RAINHA DA SERRA  Fundado em 06 de Outubro de 1953. Algumas senhoras que fizeram parte deste grupo: Ermelinda Sorgetz, Judahyba Ruschel, Célia Zatti, Célia Fleck, Anita Muller, Ilma Miranda, Thereznha Koetz, Ilsa Kuhn, Hermida Perini, Odete Balzaretti, Ermínia Accorsi, Orlandina Michaelsen, Amabilda Bertolucci, Claudina Michaelsen, Iracema Bazzan, Sonia Bonatto, Pierina Carniel, Presila Bazzei, Elli Dutra, Margarida Adam, Iria Hermann, Irani Ramm, Nair Oberth, Cléa Albrecht, Irene Preto, Gerda Sorgetz, Irma Zanatta, Irlei Zanatta, Nair Perini, Rosa Drecksler, Helena Manéa.               APOIO:           

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A ERA DO BOLÃO

A Sociedade Recreio Gramadense, durante muitos anos teve o Bolão como ícone. Do Bolão surgiam eventos sociais, foram escolhidos os Presidentes, Secretários e Conselheiros. Durante uma era o esporte foi o centro dos maiores acontecimentos de toda a região. Apreciado tanto por operários, profissionais liberais e empresários, fez muito sucesso em todas as classes sociais e foi assunto preferido nos encontros para o cafezinho, aperitivos e chás da tarde frequentados pelas senhoras. Motivo de grandes confraternizações, incentivou os habitantes de Gramado a tornarem-se sócios do clube.     Existe há cerca de 3 500 anos. Escavações em sítios arqueológicos egípcios detectaram sinais de jogo de bolão ancestral. Há indícios de que povos bárbaros e tribais teriam um eventual jogo com caveiras e ossos no lugar de bolas e pinos. Esporte primitivo, com origem no Egito, Polinésia utilizando bolas e pinos. Já foi praticado como cerimônia religiosa quando acreditava-se que ao derrubar o bastão, a pessoa que arremessou estaria livre dos pecados.     Segundo registros o Bolão foi mencionado pela primeira vez na Alemanha em 1157, na cidade de Ronthenburg. O 1º campeonato Mundial de Bowling foi realizado em 1925, na Suécia. No Brasil, o esporte foi introduzido através dos imigrantes Alemães, apresentando duas modalidades: BOLÃO 23 com a bola de 23cm de diâmetro e o BOLÃO 16, com bola de 16cm de diâmetro, praticado por homens e mulheres.   Taça Tuyuty, anos 50. Sturmer, Hogo Daros, Guilherme Dal Ri, Bruno Muller. Foto: Arquivo Pessoal Sérgio Bertoja   Até 1947 sempre houve apenas uma cancha de bolão na Recreio e vamos relembrar um pouco da nossa história, em alguns capítulos.   30 de Setembro: Rosita Bordin, Ema Fisch, DalilaJungbluth, Clari Sartori, Ladi Bastos, Tereza Bastos, Edelvira Bertolucci, Cantides dos Santos, Zari Castilhos, Irani Castilhos, Soeli Daros, Julieta Balzaretti, Irma Peccin, Derci Couto, Cilda Petersen     A sede inicial do clube, de 1915 a 1929 ficava na esquina com Major Nicoletti, e o prédio era locado. A Recreio foi fundada em 15 de abril de 1915 ficava de frente à Praça Major Nicoletti, que ainda não era bem uma praça. Havia uma cancha de chão batido, na rua, dificultando visualizar a bola e os pinos em dias de serração. As pontuações eram anotadas no “ourinho”, papel que protegia os cigarros dentro das embalagens.    Na segunda sede, de 1928 e 1956 na esquina da atual, entre a Madre Verônica e Garibaldi, o  prédio era próprio, de madeira. Durante a 1ª etapa da construção, entre 1928 e 1929 houve a inauguração da Cancha de Bolão com leilão das primeiras bolas e ainda, JOGO DOS CARTÕES para a disputa de uma MEDALHA DE OURO oferecida pela Sociedade. Entre os envolvidos na Comissão dos Festejos e ampliação, estavam Cláudio Pasqual, Oscar Fisch, Valentina Zanotti, Pedro Candiago, Orestes Dalle Molle e João Alfredo Schneider. Há muitos registros de churrascos nos fundos da Recreio, durante este período.   Bolonistas do Grupo Castelo em dia de treino: Walter Sempé, Egídio Michaelsen, Edo Brentana, Euclides Bondam, João de Oliveira, Adilson Franck, Carlos Tomazelli, Hans Nikolaysack, Theobaldo Scheifler, Celestono, Ilso, Ernesto Simão Tomazelli, Rudo Benetti, Setembrino Boniatti e Alceno Noé. Acervo S.R.G.   A época de ouro, foi a partir de 1954, no pavilhão do bolão, com duas canchas moderníssimas, inauguradas em 1º de maio de 1954, em um grande evento, com a presença de muitos gramadenses e visitantes. Entre os festeiros destacaram-se Daniel Arend, Guilherme Dal Ri, Henrique Bertolucci Sobrinho e Oscar Fisch. O evento que comemorava os 39 anos da Recreio foi realizado com levantamento de dinheiro dos bolonistas. O "Batismo da Cancha da Direita" foi feito pelo Bloco Tuyuty e o "Batismo da Cancha da Esquerda", pelo Bloco Combate.     Em 1995 para a construção da atual e 4ª sede do clube foi vendido parte do terreno da Recreio, tornando-se viável fazer a reforma necessária. O térreo passou para espaços totalmente comercializados e o salão social foi elevado para o 1º Piso, mantido somente o hall no térreo. As obras de reconstrução do clube seguiram até novembro de 1999. Em 2005 foi inaugurado outro espaço social, o “Salão Verde Antoninho Barbacovi”.   Pedro Fattori, Nelson Dinnebier, Altivo Becker, Tino Volk, Amantino Libardi, Osmar Accorsi, Euzébio Balzaretti, Ilso Tomazelli e Remi Melara. Acervo S.R.G.   Os Blocos de Bolão foram constituídos por grupos de famílias históricas de Gramado, responsáveis pelo progresso da Sociedade Recreio por muitos anos. Além de garantir a frequência dos associados na sede e animar a vida dos gramadenses, este esporte oportunizou a formação dos grupos políticos e lideranças de Gramado.              APOIO:             

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DANÇA COMIGO?

As danças nos salões da Recreio, sem dúvida, foram os momentos que construíram as melhores memórias afetivas que se perpetuam no tempo... Há os que fazem referência aos bailes com “danças de rosto colado” e outros às festas que exploravam momentos espontâneos, impulsionados por músicas animadas, quando muitas vezes não se lembrava com quem havia dançado. O som alto diminuiu o diálogo, e não a sedução.  São momentos saudosos de gramadenses dançarinos ou apenas admiradores que voltaram no tempo de olhos fechados, relembrando um cenário embalado por músicas que marcaram as suas vidas.   Foto: Maria Delourdes Sbabo Magnus   Nos bailes de antigamente havia uma forma de cortejo, ato de sedução extremamente romântico e educado. Os jovens procuravam pelo salão a garota ideal que muitas vezes encontrava-se na mesa sentada com os pais. Era preciso audácia para chegar até ela e fazer o respeitoso convite: - Dança comigo? Seria indelicadeza dela não aceitar, e um “sim” educado já deixava animado o rapaz atrevido. A regra era dançar no máximo três músicas com o mesmo rapaz, demonstrando que não havia outro interesse, a não ser, a boa educação. No entanto, se houvesse química, as danças se prolongariam o baile todo. Os rostos se colavam e a sedução continuava com uma conversa ao pé do ouvido. Um tempo mágico onde o cavalheirismo de uma dança fazia casais flutuarem pelo salão de forma encantadora. Mãos na cintura, abraço forte que aproximava ao peito e colava o rosto, ao som de orquestras que tocavam valsas, "foxtrot" e tangos.  O beijo roubado, era às vezes o único da noite. O romantismo seguiu com os boleros. Mas a década de 50 ficou marcada por uma transição cultural, especialmente em relação à música e ao comportamento adolescente. Época de jazz e rock. Com passos cadenciados os casais se moviam, separando-se e retornando rapidamente, como um iô iô, indo e voltando. Anos 60 além do rock and roll, surgiram “cha-cha-cha”,  “hully-gully” e  “twist” que tomou conta das pistas. O novo “passinho”, era ensinado pelos rapazes que moravam em Porto Alegre e passavam os finais de semana em Gramado. Imagine uma toalha de banho nas costas, esfregando de um lado para o outro e pisando movimentando os pés como se apagasse um cigarro no chão. Nessa época era muito comum, casais de namorados circularem acompanhados com “chá de pêra”, a famosa "vela", visto que o comportamento da juventude era mais “avançadinho”.   Foto: Gustavo Merolli   Jamais será apagado o tempo da brilhantina nos anos 70, a chamada era “disco”. Discoteca, "hustle" e "breakdance", com influência americana, basicamente solo com chutinhos e movimentos das mãos sempre acompanhando a batida da música. A febre dos anos 80 e 90 era todo mundo dançando igual e no mesmo ritmo e o som cada vez mais potente e eletrônico. Na virada do milênio contamos com variedade de estilos musicais para atender a todos os tipos de público. Axé, música eletrônica, black music, samba, indie, rock, pop, retrô anos 80 e funk. Mas, e os passinhos para acompanhar esta “balada”? Cada tipo de música tem o seu jeito e quem não sabe, dança do jeito que sabe dançar! O mais importante era estar na pista aglomerada ao sinal da música preferida. Ou ainda, há quem tenha subido no palco para registrar a "performance" com os artistas da banda da noite. Além das bandas, o repertório por conta das tradicionais "pickups", alternava CDs ou vinis e alguns DJs tocavam arquivos de música direto do notebook. Com o avanço exponencial da tecnologia, já mudou muita coisa desde então!   Foto: Gustavo Merolli   Esta mistura de gerações, décadas de estilos, música e dança foi revivido em muitos casamentos, festas de 15 anos, bailes de debutantes, entre tantos eventos! "Saudades de uma festinha né, minha filha?" A dança é um tipo de arte que influencia a saúde física e emocional, em cada tempo, e as músicas são poesias que marcam histórias. Em época de pandemia, espero que as pessoas ainda dancem, embaladas por “lives” e “playlists” propagadas pelo celular, gerando novas memórias afetivas, agora, na sala das suas casas, mas em breve com os amigos, por aqui.         APOIO:            

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CENÁRIO DE MEMÓRIAS

“Às pessoas da minha faixa de idade tenho certeza que a Recreio traz ótimas lembranças”, diz Luiz Antônio Barbacovi, atual Vice Prefeito de Gramado e Conselheiro da Recreio por quase 40 anos. “Entidades que reúnem as pessoas geralmente são referências nas comunidades. Nosso clube é mais antigo que Gramado, onde encontros se transformaram em amizades, relacionamentos e famílias. Grande parte da história política, social e econômica de Gramado foi escrita nos salões da Recreio. Decisões sobre a cidade aconteceram aqui, em bate papos e reuniões sociais. Escrutínios provocavam burburinhos por dias, envolvendo as tão esperadas notícias sobre o resultado das eleições! Lembro dos Bailes de Debutantes, em que eu ficava nervoso para dançar”, comenta.   Família Barbacovi, na Recreio: João Carlos, José Inácio, Luiz Antônio, Jorginho, Ivo Antônio e Anna Barbacovi. Foto: Arquivo Pessoal   “Sou do tempo quando Colégio Santos Dumont ficava onde hoje é o Banrisul, frente à Recreio e crianças eram restritas ao clube. Na minha infância, houve Missa Cinquentenária da Recreio, em frente a portaria. Fui um dos coroinhas e ajudei o Padre Manéa na celebração dos 50 anos. Ajudar na missa prestigiada pelas famílias tradicionais de Gramado, autoridades, foi muito marcante! Meu tio, Antoninho Barbacovi, ficou conhecido pela participação na vida social de Gramado, como garçom, por grande parte da sua vida. Nos anos 50, eu e meus primos na mesma faixa de idade, espiávamos os eventos nos carnavais, escondidos por debaixo das mesas, com a permissão dele e da minha tia, quando foram ecônomos. Bacana, esperar o Carnaval chegar, para viver esse momento” conta. O senhor Antoninho Barbacovi foi também degustador de vinhos da antiga Vinicola Petronius referência nos anos 60, prédio da atual Secretaria de Educação.     Missa em Celebração aos 50 anos da Recreio, em Gramado. Foto acervo S.R.G.   Missa em Celebração aos 50 anos da Recreio, em Gramado. Foto acervo S.R.G.   Entre 60 até 68, lembra que a Recreio foi o primeiro local com quadra de esportes. “Quadra de asfalto pequena, frequentada por jovens gramadenses. Jogávamos vôlei e futebol. Os times da época: Tênis Clube, Cometa, Ester Sul. Esfolei algumas vezes naquele piso de asfalto! Depois, surgiu o pavilhão da Prefeitura e desativaram nosso pequeno espaço esportivo da cidade. Frequentei muito o Bar da Sacada, no mezanino da Recreio, boate referência para o Vale do Sinos, Paranhana", lembra.     Destaque Social no Jornal de Gramado, anos 80.   Integrante do bloco dos "Velhinhos", já foi um dos "Monarcas do Ritmo" e relembra este bloco carnavalesco histórico formado por pessoas que tiveram grande influência em nossa cidade. “Além das fantasias impecáveis, os Monarcas eram como empresa organizada, com hierarquia e disciplina. A Sílvia Zorzanello, o Luciano Peccin e outras lideranças estudantis da época, jovens com visão diferenciada, marcaram o início da qualidade para o que a cidade viria a apresentar. Influenciaram comércio, hotelaria, gastronomia e arquitetura. O bloco contou com mais de 100 participantes e há 50 anos isso foi bastante significativo! Sentíamos imenso orgulho em participar do bloco e representar a Recreio Gramadense no Carnaval, em destaque na região e no Estado”. Atuou como Secretário da Recreio em 77,  quando o clube era local de encontro dos gramadenses no fim do dia. “Hora de tomar aperitivo, jogar bolão. Meu pai jogava como a maioria do pessoal de Gramado. Nessa época, já observávamos necessidade de mudança, surgiam eventos de grande porte como Festival de Cinema e a cidade já se estruturava como destino turístico. O clube era muito procurado, mas estava em situações precárias. A empresa do meu pai e do senhor Aquilino Libardi, reformaram as canchas de bolão trocando por títulos, assim como outros que colaboraram doando materiais e serviços. A verdade é que nos anos 80 a Recreio não tinha mais condições de abrigar eventos. Então, iniciou o movimento jovem acreditando que o clube precisava se modernizar para acompanhar a evolução da cidade”, lembra.    Luiz Antônio Barbacovi e Juliana Koetz, Relembrando na Recreio. Foto Lucas Dias.   Em 1993, Luia foi eleito Presidente do Conselho Deliberativo, época em que efetivou o Projeto Recreio 2000, determinante para a Recreio. “Período de grandes discussões entre reconstruir a estrutura e a inevitável situação de desmanchar o espaço do bolão, obra reformada poucos anos antes e com espaço pouco usado”. Ao lado de Paulinho e Coletto, líderes desse movimento, Luia participou de todo processo. Período dos mais produtivos em termos de estruturação. “Tive a felicidade de realizar o sonho em transformar a Recreio num padrão de clube para Gramado, com localização formidável, que presta um excelente serviço à nossa comunidade. Comemorei também os 60 anos da Festa das Hortênsias, uma homenagem da Câmara de Vereadores que proporciou o reencontro das famílias. Noite como o antigo baile das Hortênsias: festa de nível nacional e congraçamento das famílias gramadenses, amigos de origem em famílias inseridas e viculadas ao desenvolvimento da cidade” diz. Demosntra saudade de um tempo que se modernizou deixando de lado este espaço bucólico e o romantismo de uma era. “Cenário da mesma memória afetiva na história de convivência que tínhamos. Jogávamos com o Sr. Adail de Castilhos e nos encontrávamos no glamour da Recreio. Antigamente esperávamos para acontecer um baile, de seis em seis meses, nos preparávamos, escolhendo a melhor fatiota. Os eventos aconteciam em uma velocidade mais lenta e eram valorizados. Hoje existe superficialidade nas relações, perdemos o contato, o preparo. Existiam regras: o que aprendíamos em casa e se aplicava aqui. Sinto muito orgulho em fazer parte desta história”.          APOIO:        

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O BRILHO DO SALÃO

O senhor Luiz Roldo Filho, aos 90 anos com uma memória invejável, fala sobre os tempos do clube nos anos de 1950. Casou-se com dona Iracema Libardi na Igreja de Pedra e a festa aconteceu na Recreio em novembro de 1958. Época da gestão do senhor Cláudio Candiago como presidente do e do seu sucessor, o senhor Francisco Bertoja. “Eu e a Iracema saímos de Porto Alegre e viemos morar na Sociedade Recreio Gramadense”.    Festa de Casameto Luiz Roldo Filho e Iracema Libardi., 1958 Foto: Arquivo Pessoal   O casal começou a trabalhar como ecônomo, a convite do pai da dona Iracema, o senhor Aquilino Libardi. Antigamente o sistema de construção era totalmente diferente. Demorava muito tempo para terminarem as obras normalmente feitas por um pedreiro e um ajudante. “Aquilino construiu a Recreio, a Igreja, o Hospital, os Colégios, o Cinema, o prédio da Prefeitura e o nosso Hotel Gramado Palace também. Nasceu em Gramado, na Tapera, em 1909 e morreu em 1991. Em 1951, demoliu a ´velha´ Recreio de madeira, que havia sido feita por ele e construiu a segunda, também. A obra de alvenaria terminou em 1956. O Aquilino presidiu o grupo de bolão 1º de Outubro. Gramado era uma cidade mais simples, um lugar muito gostoso! Chamava-se Picada para os Alemães, Linha para os Italianos. Por causa dos Tropeiros passou a se chamar Gramado. Eu sou do tempo em que não havia automóveis aqui. Havia carreta, carroça e eu andava à cavalo em Gramado", lembra seu Luiz.    Aquilino Libardi. Foto: Arquivo Pessoal   Aquilino Libardi e time de Bolão Recreio Gramadense, década de 40. Foto: Arquivo Pessoal   Sobre a rotina de serviço do clube, antigamente, conta: “Éramos nós dois, uma cozinheira e um ajudante no máximo. Diariamente às 9h da manhã alguns gramadeses apareciam para tomar café no balcão. Centenas de pessoas circulavam na Recreio. Às 11h chegavam os primeiros sócios para tomar aperitivo. A Iracema e a cozinheira ficavam preparando almoço, pois em seguida chegavam os clientes para almoçar. O Antoninho Barbacovi era o garçom mais honesto e trabalhava muito bem. À noite preparávamos jantares pros grupos de bolão e nos bailes também. Servíamos o pessoal que frequentava a boate e o Cassino. O Bertoja, quando presidente trouxe muitas novidades! Do pessoal que jogava bolão eu lembro muito do Nina, do Parque Hotel, Oscar Knorr do Parque Knorr e do Leopoldo Rosenfeldt, do Lago Negro. Todos jogavam aqui”.   Luiz Roldo Filho e Iracema Libardi, economato Recreio Gramadense, 1960. Foto: Arquivo Pessoal   Ele conta que em muitas madrugadas faziam sopão para os que viravam à noite jogando carta. “Lembro de gente que sentava nas mesas e ficava jogando por três dias. Pelas 3h da madrugada pediam para preparar uma galinhada. E sabe como que se preparava uma galinhada naquele tempo? Precisava ir aos fundos, no galinheiro, pegar as galinhas, passar na água quente, depenar e limpar. Hoje se compra prontinha, temperadinha, é só botar na panela! Naquele tempo era um longo processo para preparar e servir à mesa para o cliente. O acesso à sala de carteado era por uma escada caracol. A porta da ficava quase toda fechada e eu mal conseguia passar com a bandeja e com os pratos. Havia uma mesa só para canastra e outra para pôquer. Os gramadenses mais bem de vida jogavam pôquer”, conta.    Iracema com os filhos Marcia e Augusto, Carnaval da Recreio Gramadense, 1966. Foto: Arquivo Pessoal     Augusto Roldo, um dos filhos, como "Laçador", 1º lugar carnaval infantil da Recreio Gramadense, 1968. Foto: Arquivo Pessoal   Augusto e Luiz Roldo Filho, Relembrando. Foto: Rafael Debacco   O senhor Livo de Fries assumiu o economato depois que o casal saiu em 1962. A família Roldo participou da longa história do clube. “Sinto saudades da minha juventude, naquele tempo eu não tinha medo de nada! Trabalhamos com muita dedicação e comentavam que dava até para se espelhar no salão. A Iracema tinha mania de encerar tudo, passava cera até nos pinos do bolão. A cancha de bolão brilhava! Muito caprichosa, assumiu a Recreio como se fosse a casa dela! Gramado antigamente era uma grande família. Hoje somos números. Uma cidade que nasceu e deu certo. Todos queriam ajudar como se fosse o seu próprio lar e talvez, por esse motivo, evoluiu tão bem”!          APOIO:         

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DESAFIO

Chegamos na reta final de um ano mundialmente afetado. Por mais desafiador que seja, sofremos todos os dias pela angústia em não saber o que acontecerá no dia seguinte.  Qual decisão política vai nos afetar amanhã?   Foto: Cid Guedes   Neste ano, que começou promissor, tínhamos em torno de 40 eventos agendados, que foram cancelados ao longo desta pandemia. Inquietos que somos, nos reinventamos e atuamos da maneira em que nos foi permitido.   Foto: Cid Guedes   Pois bem, chegamos ao último mês do ano trazendo o encanto de parte do NATAL LUZ para ser apresentado dentro da nossa casa!   Foto: Cid Guedes    O espetáculo ILLUMINATION, através de Sergio Korsakoff com produção da gramadense Nini Volk, renova a esperança e a fé, para um término de ano mais digno, a quem nunca desistiu. Ainda fomos surpreendidos com a impossibilidade de realizar as primeiras sessões. Mas não podemos parar de lutar!   Foto: Cid Guedes   Os eventos não são os vilões da pandemia, e vamos sim, provar que aqui na Recreio, em Gramado, podemos trabalhar de forma responsável. Somos movidos por desafios e não temos 105 anos por acaso!   Ike Koetz Presidência Recreio GramadenseGestão 2018 a 2020

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RECREIO 2000: O LEGADO

Nosso Presidente do Conselho Deliberativo, o Engenheiro Alemir Coletto relembra o corajoso projeto RECREIO 2000, liderado por ele, conservando a tradição e a história do clube para a nossa comunidade: “A memória é um pouco ingrata, mas quando vivemos com o coração em busca de um objetivo maior, é impossível esquecer. E, neste caso, o objetivo foi para a sociedade de Gramado em respeito à história que transcende um século. Ponto de encontro e referência a todos os importantes acontecimentos de Gramado. Acredito sinceramente que a função do clube é ser um elemento agregador da comunidade, ambiente de convívio, amplo, geral e irrestrito que oferece integração”.    Alemir Coletto, Relembrando na Recreio Gramadense. Foto: Lucas Dias   Sabe-se que nos anos de 1980, o clube não se viabilizava mais e a estrutura da sede em excelente localização, não acompanhava a evolução do cenário de eventos em Gramado. “A Recreio tinha uma situação de total insolvência, por se tratar de um clube muito antigo. Os estatutos preveem a situação de remido que enquadrava a maioria dos sócios e na época, inexistia outra fonte de receita. As estruturas eram todas de madeira com 40 anos de existência, cupins, telhas podres com goteiras e riscos à população. Pensar em como seria o futuro da Recreio era urgente, pois ela não se sustentava, não pagava manutenção. Na época como diretor social, idealizei o primeiro projeto chamado UMA NOVA RECREIO, em que o clube teria uma sustentação financeira, proveniente da locação de espaços comerciais no térreo”, conta.   Recreio Gramadense, 1987. Foto: Bonfanti    Alguns anos depois, Coletto aceitou o convite para suceder o amigo Paulo Volk que liderou o clube de 1989 a 1993. “Foi muito emocionante, pois naquele momento eu vi que o Paulinho tinha compreendido e identificado a ideia que poderia salvar a Recreio e a conduzir ao futuro”.   Aniversário Recreio Gramadense, 1989. Foto: Arquivo S.R.G    Uma comissão de gramadenses engajados formou-se e o desenvolvimento do projeto iniciou a partir de 1995. “Com a colaboração do Ricardo Peccin, idealizamos a obra e projeto RECREIO 2000. Para mantermos as atividades de congraçamento da sociedade gramadense através dos eventos durante o longo período de obras, realizávamos nos hotéis Serra Azul e Serrano eventos black tie, Baile de Debutantes, Carnaval, Miss Rio Grande do Sul, todos com renda revertida para aplicar na obra”, completa.   Obra Recreio Gramadense, 1996. Foto: Arquivo S.R.G.   Obra Recreio Gramadense, 1997. Foto: Arquivo S.R.G.   Época de pujança econômica em Gramado e para alavancar investimentos, muitas campanhas foram realizadas: “Lançamento de títulos patrimoniais, campanhas de material de construção e captação da mão de obra. Buscávamos doações de caminhão de concreto, de brita, areia, tijolos. Campanha de fios elétricos, campanha de madeira, tudo com muito sacrifício. Alugamos o tapume na esquina da Garibaldi e Madre Veronica, como espaço publicitário divulgando logomarca de empresas que apoiaram a Recreio em troca de uma contribuição mensal. Das que tinham o maior poder econômico na época, 100%, se fizeram presentes: Famastil, Imobiliária Gramadense, Ortopé, Serra Azul, Serrano e Sierra Móveis. O apoio da comunidade aumentou e muitos empresários foram fundamentais como Móveis Masotti, empresas da construção civil, entre outras de iniciativa privada. Mesmo com todo o apoio, ainda faltavam recursos e a cada dia um passo e um degrau acrescia. Criamos uma rifa, com 100 números para sortear um automóvel BMW. Vivemos anos muito duros e não teria conseguido concretizar se não fossem as dezenas de apoios, patrocínios, doações, incentivos, a participação efetiva de muitos e a colaboração incansável de todos que lutaram. A todos que tiveram esse despojamento colaborativo eu agradeço pelo que fomos e ao que somos hoje. Tínhamos uma obstinação: Recreio ano 2000: Um Novo Clube para o Associado”.  Obra Recreio Gramadense, 1998. Foto: Arquivo S.R.G.   Outro aspecto importante proposto no projeto era viabilizar o clube financeiramente, pensando no futuro. “Caixa Federal, Bingo e Irius Gastronomia formavam a principal receita do clube na fase inicial. Esta receita prossegue até hoje, com as suas devidas alterações de locatários, responsáveis pela conservação e manutenção dos espaços privativos e suas fachadas proporcionais. Assim a parte térrea estruturada, possibilitou a fonte de renda para o futuro, junto com o economato e locação de salão. Estes três ambientes de negócio passaram a se tornar 99% da receita do clube".    Obra Recreio Gramadense, 1998. Foto: Arquivo S.R.G. Quatro anos com muito trabalho de 1995 a 1999 e grandes desafios. "Durante este período organizamos o carnaval na Rua Coberta, que também estava em construção. Buscamos recursos, fizemos camarotes em meio a tapumes, desfile de fantasias e colocamos mais de cinco mil foliões na Rua Coberta. Foi uma efeméride! A partir daí ficou consagrado o primeiro Gramado Fantasia”, lembra.   Coletto com os filhos Bruno e Lucas, Paulo Volk em homenagem na Recreio Gramadense, 1999. Foto: Arquivo S.R.G.   A conclusão da obra no final de 1999 foi comemorada com um evento marcante. “Casa cheia e um encantamento generalizado. A Recreio tornou-se um salão para eventos e festas de qualidade para Gramado. Passados 20 anos que reinauguramos, vejo o clube maduro, capacitado, integrado, com ações que a cada momento melhoram a infraestrutura e proporcionam mais oportunidades à comunidade de Gramado. Outra bandeira que eu defendia na época e passo a relembrar hoje, é que a Recreio poderá oportunizar possivelmente alguma atividade esportiva identificada no momento certo. O maior legado que eu possa ter deixado para o clube foi a concretização do projeto Recreio 2000, onde estruturamos um plano de gestão, um plano financeiro que permitiu ao nosso clube, prosseguir. Além das atividades sociais, penso em alçar voos maiores, um espaço externo que pudesse ser a segunda etapa do projeto Recreio 2000. Poderemos ser mais amplos, mais diversificados e novos desafios ainda virão pela frente! A Recreio é um dos clubes mais antigos do Rio Grande do Sul, e alcançamos devido ao trabalho de muitos, o espaço e a deferência que temos nesse momento”.          APOIO:         

RELEMBRANDO

TEMPOS DA ROÇA

Pedro Andreis relembra histórias da Recreio desde a infância gramadense com memórias de quem veio da zona rural. “Na década de 1960, a gente vinha do interior da roça nos finais de semana para assistir a um cineminha e se entrosar um pouco na sociedade também. Rejeições, eram bem comuns na época... mas a gente tentava se aproximar aos poucos, para participar da sociedade, do clube e conhecer as opções que a cidade poderia proporcionar”, diz. A Recreio teve uma grande importância social, princialmente nas décadas de 50 e 60.  “Lembro bem que havia um campo de futebol de salão rústico com o chão cheio de pedregulhos, onde um sargento ensinava a jogar. As bolas eram pesadíssimas e a tradição era jogar descalço. Vantagem para a gurizada que vinha da roça, que tinha o pé mais cascudo e enfrentava melhor os guris da cidade”!   Pedro associou-se ao clube na década de 70. “Surgiram mais oportunidades como a Boate. Brigas eram bem comuns, especialmente pela rivalidade com a cidade de Canela. Se não houvesse a encrenca, praticamente não tinha acontecido nada no final de semana. E assim acontecia: uma vez a gente apanhava lá e no outro final de semana a gente batia aqui. Sempre houve esta rivalidade. A boate era nosso evento principal de fins de semana, geralmente aos sábados. A gente fazia uma prévia na Lancheria da Hortênsias, que ficava aqui na Rua Coberta até umas 23 horas e depois vinha para o clube. A grande maioria fumava e o ambiente era um barbaquá. Não se enxergava nada pela fumaça, não sei como se respirava! Naquela época, os pais de algumas meninas responsabilizavam alguns rapazes, e o meu caso era esse: buscava em casa, levava para a boate e até uma hora da manhã trazia a menina para casa”, relata. Quando participou dos Monarcas do Ritmo conheceu mais pessoas da sociedade, inclusive a sua esposa Marilei Benetti. “Minha esposa cresceu na Recreio, os pais dela eram ecônomos. Fui par da Lei, no Baile de Debut e nos casamos aqui, na década de 80. Antoninho Barbacovi e o Chico Lorenzoni eram os garçons titulares e serviram um jantar maravilhoso”, lembra-se.   Marilei Caberlon e Pedro Andreis, Baile de Debutantes Recreio Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal    O casal participou ativamente na diretoria do clube, por muitos anos. “Fui diretor de esportes quando aqui existia uma área de futebol de salão, uma cancha de bocha, uma cancha de bolão e tentamos modernizar um pouco a boate, qualificar um pouco mais. Trabalhamos em reformas rebaixando o teto e na instalação das portas divisórias que eram abertas ou fechadas de acordo com a quantidade de pessoas no evento. Tornou-se um ambiente mais acolhedor, possibilitando mais brilho na decoração dos bailes. Revolucionamos a parte cultural. Trouxemos o Francisco Petronius e as Garotas do Sargentelli. Mudamos um pouco a forma de ver a Recreio como Sociedade, quebramos paradigmas e foi um marco na história do clube”, registra. Uma ocasião que se destaca na trajetória do clube são os Bailes de Debutantes. “Noites maravilhosas onde os pais apresentavam as filhas para a sociedade. Havia preocupação de estar muito bem vestido. Jamais esquecerei quando usei uma gravata amarela, camisa azul e casaco amarelo, bem cafona. Me destaquei de todos e rever essas fotos é sempre maravilhoso”, comenta.  Marilei, Monica Caberlon e Pedro Andreis, Baile de Debutantes Recreio Gramadense. Foto: Arquivo Pessoal   Aos fundos da Recreio havia salas onde funcionavam os clubes de serviço. As reuniões do Lions Club, Orbis e Rotary eram semanais e havia jantares reunindo o pessoal. “Aqui surgiram os grandes líderes da cidade! A Recreio fez um trabalho bacana em formar lideranças e acho que esta é uma bandeira que deveriam dar continuidade. Há necessidade de descobrir lideranças políticas de uma forma saudável. Acho que a Recreio deveria promover este tipo de encontro, de debates. Acho que além de nível municipal, destaques na Região das Hortênsias”, sugere.    Pedro Andreis, Relembrando na Recreio Gramadense. Foto: S.R.G.   O clube evolui e Pedro também participou da grande reforma que aconteceu na época do Coletto. “Mobilizamos, trabalhamos juntos em uma grande equipe, em busca de recursos para fazer acontecer à reconstrução. Hoje o que buscamos naquela época se tornou uma realidade. Foi muito bacana participar como sócio, como colaborador ativo do clube e contribuir como cidadão gramadense”, conclui.        APOIO: