RELEMBRANDO

A VIDA É UM CICLO

Neta, filha, mãe e avó. Maria Helena Ruschel Michaelsen, ilustra a vida de uma família intensa no clube, referência para gerações que viveram momentos de alegria na Recreio.   “No início em 1915, o meu avô foi o um dos entusiasmados, o primeiro presidente. Juntamente com minha avó que veio de São Leopoldo recebiam os associados, ensinando hábitos de etiqueta. Participei desde pequena, minha família trouxe esta tradição. Eu acredito realmente que todos os grandes eventos da minha vida foram aqui neste lugar que sempre nos acolheu bem”.

A vida social iniciou com os bailes infantis de carnaval. “Minha mãe fazia minhas fantasias e eu participava dos concursos”, conta. Recorda-se com muito carinho da apresentação individual no palco com a professora Helena Jungblud na formatura de acordeon da Academia Musical Verdi. 

 

Volta ao Mundo em 60 minutos, Sociedade Recreio Gramadense. Foto Acervo Pessoal

 

Aos 11 anos, formatura de Acordeon da Academia Musical Verdi. Foto Acervo Pessoal

 

Brotos do Enfesa, 1965. Foto Acervo Pessoal

 

Seguindo as lembranças de menina conta sobre a expectativa para encontrar amigos no segundo andar do clube. “Dançávamos ao som de disco de vinil, músicas italianas como Pepino di Capri, Sérgio Endrigo. Aniversários de quinze anos de amigas minhas também foram feitos aqui. Uma festa linda que especialmente me marcou foi a da Sonia Oaigen. Meu atual marido me tirou para dançar e eu comecei a me interessar por ele. Naquela noite ele encostou o rosto dele no meu. Um gesto muito celebrado pois não era muito normal, apenas nos casos em que havia algum encontro de almas... neste nível”. Anos depois o casal recebeu aqui seus amigos e família na festa de casamento. 

 

Casamento Maria Helena e Romeu Michaelsen. Foto Acervo Pessoal

 

A sua apresentação no clube, para a sociedade, aconteceu no Baile de Debutantes em 1971. "A partir daí comecei a frequentar eventos à noite. Passei a vir em todos os bailes... talvez o que mais nostalgia me traz! Bailes lindos onde eram contratadas grandes orquestras. Dançávamos ao som de Norberto Baldoff, Cassino de Santa Cruz”. Ocasião especial para as meninas devido ao preparo em salões de beleza e programação de penteados e vestidos, além da escolha antecipada da mesa para participar do baile. “Procurávamos situar no mapa para sentar próximas aos amigos, mas, sempre acompanhadas pela família”, diz.

 

 

Baile de Debutantes Sociedade Recreio Gramadense, 1965. Foto Acervo Pessoal

 

A família foi destaque em alguns bailes como no Baile do Suéter quando Branca foi escolhida Rainha. “Lembro-me quando a minha irmã Isa, foi eleita Rainha da Sociedade Recreio Gramadense”.  Oportunamente em um dos aniversários do clube, homenagearam todas as Rainhas e com um bolo muito grande. “O salão ficou escurecido e todas as rainhas que tinham sido do clube adentraram empurrando o bolo com muitas velas. Uma delas que também participou desta ocasião, foi a minha tia Iria Schlieper, que tinha sido a primeira Rainha do Clube. Filha do Leopoldo Lied, meu avô. Foi muito emocionante”, relembra.

 

Miss Suéter Maria Helena Ruschel Michaelsen, 1969. Foto Acervo Pessoal

 

Outros bailes que impactaram esta geração foram os Bailes de Carnaval de Salão, com grandes blocos e muita rivalidade nos concursos. O lado positivo foi que cada um procurava dar o melhor de si. Fantasias muito bem elaboradas, inclusive com coreografias. Eleita a Rainha do Carnaval, recorda-se do ano que desfilou com Crentes da Folia fantasiados de gregos. “Havia uma alegoria com uma liteira, uma espécie de carruagem, onde eram levadas as rainhas conduzidas por quatro escravos. Conduziram-me até o centro do salão que estava escurecido e então acenderam todas as luzes e quando desci, começou a batucada. Um verdadeiro teatro. Blocos de cidades próximas eram muito esperados, pois vinham meninos de outras cidades pular carnaval em Gramado. Inclusive algumas meninas de Gramado chegaram até a casar, com esses componentes de blocos de outros lugares. Lembro da mãe, quando ia nos buscar, na saída do clube, sempre com casacos de inverno, por que era muito frio, temperaturas baixas mesmo”, conta.

 

Rainha do Carnaval. Foto Acervo Pessoal

 

Crentes da Folia. Foto Acervo Pessoal

  Crentes da Folia. Foto Acervo Pessoal

 

No Baile das Hortênsias, em 1971 Maria Helena foi coroada a princesa das hortênsias. “Houve show com Benito de Paula. Artistas de nível nacional participaram do baile. Glamour maravilhoso, com rainhas de todo o estado, misses, rainhas de piscinas, outras beldades e artistas convidados. As decorações do salão, uma atração à parte em que a comunidade toda se envolvia. Às festas de Reveillon também de muito requinte com orquestras maravilhosas e esmero em vir bem vestido”.

 

Princesa das Hortênsias, Maria Helena Ruschel Michaelsen, 1971. Foto Acervo Pessoal

 

A lembrança do baile dos anos 60 com todos caracterizados com roupas da época, “amigos que não se viam há muitos anos, vieram a Gramado para esse evento. Nesse baile a rainha foi eleita como era antigamente, por compra de votos. Minha amiga Mafalda, teve o maior número de votos. A Sílvia querida, minha amiga do coração e eu, fomos escolhidas também representantes desse baile maravilhoso onde reencontramos muitos amigos de época”.

O baile de debutantes com a Gabriela sua filha, foi outro momento muito especial. "Pude acompanhar e traze-la para participar da sociedade de Gramado, onde fez amigas que convive até hoje. Depois disso minha filha também participou de inúmeros eventos sociais aqui, inclusive sua festa de casamento. A vida é realmente um ciclo. Continuo a frequentar o clube da mesma maneira como iniciei no carnaval infantil, mas agora eu trago a minha neta para participar”.

 

 

  

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